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Luiz Valério P.Trindade
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Há algum tempo era bastante comum recorrermos a cartas (algumas datilografadas, outras escritas à mão e algum tempo depois digitadas) para nos comunicar com as pessoas que estavam distantes de nós. Enviar uma carta era praticamente um ritual cercado de simbolismos e significados, pois partia desde o que escrever para determinada pessoa, passava muitas vezes pela escolha do papel de carta, o envelope e, em algumas circunstâncias, qual selo iria completar a decoração final. E a expectativa então pela resposta da pessoa? Nossa, a sensação era inenarrável.

 

Telegramas eram curtos e utilizados, sobretudo para transmitir notícias extremamente urgentes, tais como o falecimento de um ente querido, aprovação em um processo seletivo para um novo emprego, entre outras situações. Dado este caráter de excepcionalidade do telegrama (que poderia e ainda pode ser entregue a praticamente qualquer hora do dia ou da noite) ele geralmente foi associado a muita apreensão por parte de quem o recebia, do tipo “que notícia será que ele traz?”

 

Pois bem, dependendo dos olhos com que se observa este panorama descrito, pode precipitadamente ser levado a pensar que se trata de uma abordagem do tipo “éramos felizes e n ao sabíamos” ou que, no passado era melhor do que agora.

 

Não. Não é nada disso.

 

É claro que para qualquer pessoa com menos de vinte e poucos anos de idade, tais situações parecem pertencer a um passado bem remoto. Por outro lado, para quem tem mais de trinta e poucos anos, vivenciou algumas das situações expostas e deve se recordar delas com relativo carinho e, quiçá, deve até ser sorrido enquanto lia algumas de suas passagens.

 

Em contrapartida, atualmente vivemos em um contexto social completamente diferente, onde as informações transitam em tempo real, onde tudo é instantâneo, online, on demand, ao vivo, streaming, e assim por diante.

 

Os benefícios que esta evolução tecnológica trouxe para a sociedade são inegáveis. Agora, o que considero como um efeito colateral indesejável (pelo menos enxergo desta forma) consiste em uma grande perda de percepção de valor da privacidade individual.

 

Observa-se que muitas pessoas expõem suas vidas, intimidades, particularidades, gostos, famílias, amigos, etc. de forma escancarada nas chamadas Redes Sociais.

 

Nada na vida é ruim ou maléfico por si só. Tudo depende do uso que se faz das coisas que a humanidade é capaz de criar. E neste caso, considero que caberia um pouco mais de reflexão do uso que as pessoas têm feito destes mecanismos modernos de comunicação, pois esta sede exacerbada pelo instantâneo, online, em tempo real, on demand, etc., eventualmente, pode não trazer um resultado tão satisfatório assim.

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