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Luiz Valério P.Trindade
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Sabe-se que na natureza existem algumas leis universais que são válidas em qualquer lugar de nosso planeta, tais como a Lei da Gravidade, por exemplo.

 

No entanto, muitas vezes, é possível observar que na sociedade brasileira impera uma total inversão de valores onde o contrário das coisas é que dá a impressão de ser a lei universal.

 

Se, em condições normais, água de torneira não retorna, lamentavelmente, a mesma analogia não se aplica a diversas situações cotidianas no Brasil.

 

Para ilustrar com maior precisão o cenário exposto basta observar, por exemplo, o comportamento de grande parte dos motoristas ao volante. As calçadas, que deveriam ser território livre a absoluto dos pedestres, são frequentemente bloqueadas por veículos de passeio estacionados sobre elas.

 

Faixas de pedestres em cruzamentos que contém semáforos são rotineiramente ignoradas por veículos e motocicletas que avançam sobre elas sem a menor cerimônia (como se aqueles poucos centímetros representassem um ganho de tempo fenomenal em suas vidas tão corridas). E faixas de pedestres em cruzamentos desprovidos de semáforos então é como se elas não existissem, porque muito raramente algum motorista cede a vez para o pedestre.

 

Paradoxalmente, se um motorista ceder sua vez para o pedestre atravessar, existe uma grande chance do carro ou motocicleta que vier imediatamente atrás dele frear bruscamente (isso se não colidir) ou, no mínimo, xingá-lo já que não faria este gesto e acha absurdo que outro o faça.

 

Chegar atrasado (muito atrasado, diga-se de passagem) a compromissos está tão enraizado em nossa cultura que é encarado como algo absolutamente normal e, em determinadas circunstâncias, até chique.

 

Contudo, o que não se pondera em tais situações de atraso é o fato de que se está transmitindo uma mensagem subliminar de que o seu tempo é valioso, mas o do outro não, porque ele(a) pode (e deve) aguardar por sua chegada. Ou seja, uma demonstração clara de inversão de valores ou de caracterização do contrário que assume status de correto.

 

Se o indivíduo puder dar um jeito de furar uma fila e “passar a perna” nas demais pessoas então é a glória.

 

Uma variante deste comportamento pode ser observada em estradas durante um congestionamento gigantesco, onde se a pessoa puder escapar pelo acostamento o faz sem a menor titubeio, pois afinal de contas, ela é muito mais esperta e sagaz do que todos os demais desavisados que permanecem parados na estrada.

 

E assim são as coisas por aqui em diversas outras interações sociais, de tal forma que elas se tornaram “normais”. Mas elas não deveriam ser vistas/encaradas assim. Essa não é a normalidade do convívio saudável em sociedade, onde o respeito pelos direitos do próximo deveria imperar.

 

Resgatando o exemplo prosaico que rotineiramente acontece nas grandes cidades, o indivíduo que bloqueia a calçada com seu carro ou avança pela faixa de pedestres, ignora que ele mesmo poderia precisar passar por aquele local e, certamente, não gostaria que ocorresse isso com ele. É o que se chama de empatia, ou calçar os sapatos do outro para ter uma noção de como a outra pessoa se sentiria no seu lugar.

 

No entanto, dada a frequência com que todos estes fenômenos se manifestam no Brasil, lamentavelmente, passamos a encará-los com naturalidade, de tal forma que o contrário assumiu o lugar do correto.

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