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Luiz Valério P.Trindade
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Desde que somos alfabetizados ainda quando crianças, escrever tende a tornar-se um ato contínuo e, por que não dizer, praticamente automatizado. Aprendemos as regras gramaticais que permitem que nos expressemos com a precisão desejada e assim conduzimos nossas vidas.

 

Porém, considero que escrever é muito mais amplo do que isso. Escrever (não importa em qual idioma) não é, ou não deveria ser, um ato marcado por automatismo onde saímos enfileirando palavras lado a lado, de acordo com determinadas regras gramaticais, para transmitir uma mensagem, informação ou ideia.

 

Eu particularmente encaro o ato de escrever como uma espécie de arte. Uma arte que requer sensibilidade, conhecimento, empatia e habilidade artesanal.

 

A sensibilidade (o que eu também chamo de percepção aguçada) exerce o papel de despertar no escritor as veias da criatividade em como transmitir seu pensamento de forma original, única e que seja capaz de tocar o leitor ou até mesmo despertar nele determinados sentimentos.

 

Além disso, esta percepção aguçada contribui para que o escritor enxergue o diferente onde os demais só veem o comum e, a partir daí lhe sirva de inspiração para escrever a respeito e despertar o olhar dos demais para o valor do prosaico.

 

O conhecimento naturalmente ajuda e muito o escritor porque, entre outras coisas, lhe permite recorrer a um vocabulário mais amplo e rico (contudo, por favor, não confundir com rebuscado, erudito ou pouco acessível), assim como versar com mais propriedade e profundidade sobre um leque maior de assuntos.

 

Cabe esclarecer também que quando me refiro a conhecimento ele, não necessariamente se traduz unicamente em conhecimento acadêmico. Embora este também ajude, e muito, o conhecimento advindo de experiência de vida também é extremamente valioso.

 

A empatia, por sua vez, eu classifico como uma das habilidades mais interessantes e ricas para o escritor, pois consiste em se colocar no lugar do leitor e procurar exercitar seu poder de imaginação sobre como ele pode receber seu texto, quais as possíveis interpretações que as palavras ali postas podem suscitar. Este exercício é simplesmente bárbaro, para dizer o mínimo, porque ele permite que você aprimore seu texto enquanto o produz. É como se você estivesse conversando com a pessoa e recebendo as devolutivas em tempo real, porém, o processo todo se manifesta em sua mente.

 

Por fim, mas obviamente não menos importante do que as demais, vem o que eu chamo carinhosamente de habilidades artesanais. Da mesma forma que na sociedade pré Revolução Industrial todos os bens eram produzidos artesanalmente um a um, assim entendo também que pode ser classificado o ofício de escrever um texto. Sai de cena o enfileiramento automatizado de palavras para formar uma sentença e, em seu lugar, entra o artesão das palavras. Ele não enfileira as palavras. Ele as encaixa, lapida, seleciona, substitui, acrescenta, suprime, complementa, reposiciona, corrige, pesquisa, combina, valoriza, destaca, realça. Enfim, ele constrói a sentença. E conforme ele se envolve neste processo construtivo, lentamente o texto vai tomando forma e criando vida, de tal forma que quando ficar pronto não lhe restará outra função a não ser envolver o seu leitor como se fosse um macio e aconchegante cachecol a enrolar-se suavemente sobre seu pescoço em uma noite fria de inverno.

 

Isto é escrever!

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