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Luiz Valério P.Trindade
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Muito mais do que um movimento artístico que surgiu no final do século XVIII e vigorou por boa parte do século XIX, o romantismo também pode se manifestar na forma como os casais se relacionam. Ou seja, como um homem corteja e trata uma mulher e como esta pode perceber, lidar e/ou retribuir o cortejo.

 

O galanteio de bom gosto, fino e educado está ao alcance de qualquer pessoa, pois independe de poder aquisitivo. Ser educado, cortês e gentil com seu cônjuge não deveria ser um sacrifício ou a exceção. Ele deveria ser encarado como um gesto natural tanto de quem o faz quanto de quem o recebe.

 

No entanto, é facilmente perceptível a olho nu que na prática não é isso que ocorre.

 

Por um lado, percebe-se que lentamente (ou não) tem-se caminhado em uma direção distinta dessas. Se há alguns anos os rapazes se produziam com esmero, bom gosto e capricho para saírem com a moça dos seus sonhos (aquela pessoa especial), atualmente percebe-se que basta vestir uma camisa de time de futebol e um boné com a aba virada para trás. Simples assim.

 

As garotas, por sua vez, ao invés de valorizarem seus atributos femininos por intermédio de figurinos que insinuam sem revelar em demasia e as tornam únicas e poderosas, substituíram por modelitos extremamente justos e com decotes pra lá de generosos. Ou seja, demonstram seu poder por meio da exuberância das formas.

 

Enfim, o jogo de sedução, mistério e conquista perdeu muito espaço e relevância, pois no contexto social onde as mensagens não podem superar 140 caracteres (ou ainda, são substituídas por ícones em mensagens via telefone celular), tudo precisa ser muito direto, objetivo e imediato. Como o romantismo não se enquadra neste padrão ele acaba perdendo espaço.

 

Considero uma pena que seja dessa forma, pois é tão gratificante surpreender e/ou ser surpreendido por pequenos (mas marcantes) gestos, como mandar flores para alguém inesperadamente em uma data fora do calendário oficial (dia dos namorados, aniversário, etc.). Oferecer a vez para a outra pessoa passar, fazer um elogio sincero que terá um efeito balsâmico para o receptor, notar algo de diferente na outra pessoa (uma expressão de alegria e contentamento fora do comum, um corte de cabelo diferente, uma nova armação de óculos). Enfim, os exemplos e possibilidades são inúmeros.

 

Contudo, será que na sociedade atual de ícones e de 140 caracteres ainda há espaço para gestos desta natureza? Será que as pessoas ainda conseguem enxergar seu valor e importância?

 

Espero sinceramente que sim porque continuo acreditando na candura destes gestos e em seu poder de contágio positivo, no sentido de que outras pessoas podem se sentir compelidas a nutri-los na medida em que observam que algumas ainda os praticam.

 

O mundo moderno (sobretudo nos grandes centros urbanos) é duro, opressor e drena a energia das pessoas. Por outro lado, estas mesmas pessoas clamam constantemente por mais  qualidade de vida. Sendo assim, não podemos nos dar ao luxo de descartar coisas boas que nos ajudam a conviver melhor e sermos ainda mais humanos.

 

Diante disso, creio que o romantismo pode mesmo ter perdido a força que outrora teve, mas face ao dinamismo das transformações sociais ocorridas no passado recente, apesar de tudo, acredito que ele ainda sobrevive.

 

Vida longa ao romantismo!

 

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