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Luiz Valério P.Trindade
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Durante muitos anos se disse que o Brasil era o “país do futuro” e uma nova potência emergente, sobretudo depois que se deixou de utilizar a nomenclatura “países do terceiro mundo” para designar nações como a nossa e adotou-se “países em desenvolvimento”.

Quando o economista britânico Jim O’Oneill do banco de investimentos Goldman Sachs nos EUA cunhou o termo BRIC anos atrás então para sinalizar o grupo de quatro países (Brasil, Rússia, Índia e China) que se tornariam as novas locomotivas do desenvolvimento mundial parecia que estávamos no caminho certo do tão aguardado desenvolvimento.

E, de certa forma, as coisas realmente vinham caminhando relativamente bem (sempre do jeito brasileiro, é claro) até que, lamentavelmente, o mundo todo foi pego de surpresa com a crise do sub-prime nos EUA que culminou com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers em setembro de 2008. E, ao contrário de algumas outras crises econômicas do passado, desta vez seu epicentro não estava em nenhum país periférico por assim dizer, mas simplesmente na economia mais poderosa do planeta.

Aquele momento foi um grande divisor de águas para inúmeras nações, mas ainda assim o Brasil conseguiu lidar bem com o momento por intermédio sobretudo de um elevado estímulo ao consumo da classe média e muita disponibilidade de crédito. Até aí tudo bem, são modelos e mecanismos lícitos para se lidar com uma situação adversa e inesperada.

No entanto, o que se observa atualmente é que pecou-se gravemente ao não serem promovidas as reformas e investimentos necessários em infra-estrutura que preparassem o terreno para o momento pós-crise, já que a história econômica há muito nos ensina que as crises são cíclicas.

Quando vivíamos um momento de forte crescimento puxado principalmente pelo boom das commodities metálicas demandadas pela China e os investidores estrangeiros praticamente se debatiam para aplicarem seus recursos aqui, percebe-se que isso entorpeceu os sentidos do governo e acreditava-se piamente que aquilo seria eterno.

Não bastasse isso, o nível geral de nosso sistema de ensino (salvo muito poucas e isoladas ilhas de excelência) continua sendo de segunda divisão e com sérias possibilidades de rebaixamento. Adicionalmente, conforme já se imaginava desde o princípio, as obras em torno do evento Copa do Mundo FIFA 2014 não trouxeram nenhum benefício tangível (ou legado como era o termo da moda) ao país e as obras em torno das Olimpíadas do Rio em 2016 não devem contar história muito distinta dessa daqui a poucos anos.

Agora o país vive envolto em uma séria crise energética e de abastecimento de água, enquanto, ironicamente, nos afogamos diariamente no oleoso lamaçal profundo de mais um dantesco escândalo de corrupção envolvendo a empresa que outrora fora motivo de orgulho nacional.

Portanto, avalio que o conjunto destes fatores fazem com que, lamentavelmente, tenhamos perdido o bonde da história mais uma vez e continuemos como o eterno país do futuro e em desenvolvimento, contudo, um futuro que nunca chega por completo, mas sim em pequenos lampejos de curta duração (quando muito de um mandato), praticamente como um poema escrito na areia à beira mar.

 

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