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Luiz Valério P.Trindade
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Era da Informação. Esta é a mais recorrente expressão utilizada para descrever o contexto social contemporâneo em que estamos inseridos. Trata-se de uma época onde o intelecto, o saber e o conhecimento especializado tem muito mais valor do que a força bruta, a simples produção em massa ou as chamadas commodities (ou seja, bens e/ou produtos pouco ou nada diferenciados como minerais metálicos, grãos, produtos agrícolas, carnes, etc.).

Esta mesma Era da Informação nos brindou com espantosos avanços em termos de possibilidades de comunicação como jamais visto na história da humanidade. Pelo menos não com tamanha celeridade, impacto, alcance e disponibilidade. Se antigamente (por volta de uma década e uma década e meia atrás) recorríamos predominantemente a telefones fixos ou cartas, por exemplo, para manter contato com parentes, familiares ou amigos distantes, atualmente contamos com smartphones a preços cada vez mais acessíveis e devidamente dotados de aplicativos que permitem comunicação instantânea em tempo real em praticamente qualquer lugar do planeta. Digo praticamente porque há lugares onde o regime político vigente impede que as pessoas tenham acesso a estes recursos.

Mas, de qualquer forma, o que se observa é que ao mesmo tempo em que estes recursos revolucionários nascidos (ou desenvolvidos, melhor dizendo) na Era da Informação, se tornam cada vez mais onipresentes na vida das pessoas, tem decaído também a qualidade da comunicação entre elas. Sem que as pessoas estejam se dando conta plenamente deste fenômeno, está se criando uma cultura minimalista tão grande que tem tornado as comunicações cada vez mais rasas, superficiais e etéreas a ponto de expressões inteiras serem reduzidas a simples Emojis.

Observando-se mis atentamente a este fenômeno reducionista é possível verificar que num intervalo inferior a duas décadas (período este que sob a perspectiva da história da humanidade é bem pouco tempo), ocorreu a transição de se escrever cartas para redigir e-mails. Algum tempo depois surgiram as chamadas “net-etiquetas” de tal forma que os e-mails deveriam respeitar determinadas regras como, por exemplo, serem curtos, objetivos e direto ao ponto. O passo seguinte nesta espiral foi o estabelecimento do limite de 140 caracteres para a comunicação entre as pessoas e atualmente, é possível “escrever” quase uma história completa com início, meio e fim somente com Emojis se forem enfileirados até 140 destes pequenos ícones na mesma mensagem.

Sendo assim, esta crônica não tem por objetivo apregoar a volta ao passado no estilo éramos felizes e não sabíamos e praguejar os avanços em tecnologia da informação. Longe disso. Na verdade, o que se propõe é que as pessoas parem alguns instantes para se darem conta deste fenômeno e não deixarem ser reduzidas a tão pouco. A troca de ideias entre duas ou mais pessoas expressa por intermédio de comunicações plenas de fato, diálogos mesmo, é algo tão rico, valioso e engrandecedor para as partes que é uma pena notar que está sendo engolida pelos Emojis e outros recursos similares. Se na idade média houve quem acreditasse que o mundo fosse totalmente plano, hoje parece que ele está se tornando raso e nos conformamos muito naturalmente com isso.

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