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Luiz Valério P.Trindade
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Diz a cultura popular que a esperança é a última a morrer, e nessa mesma linha de raciocínio alguém, com um aguçado senso de oportunidade, disse que no final tudo dará certo e, se ainda não deu, é porque o final ainda não chegou.

Até que ponto estas duas frases têm ou não razão, é difícil de precisar.

Na verdade, acho até que nem se trata de saber se têm razão ou não, mas, sim, de questionar qual o efeito que elas serão capazes de provocar no comportamento das pessoas e em nossa formação como seres humanos.

Eu as ouço desde muito pequeno, e creio que assim tem sido durante gerações e gerações, e a probabilidade de que continue desta forma é muito grande.

Filosoficamente falando, considero que o papel que esta linha de pensamento exerce em nós é positivo na medida em que está diretamente ligada com o senso natural de autopreservação presente em todas as espécies.

A natureza é autopreservacionista. O homem é que é distorce esta ordem natural dos fatos e com o passar dos anos acabou por aprimorar seu poder destrutivo.

E esta habilidade destrutiva do homem, a meu ver, não se restringe única e tão somente às coisas materiais e palpáveis, mas, sobretudo, às coisas de outra natureza, não tangíveis, tais como a amizade; o respeito pelo próximo; o companheirismo; o amor por si mesmo e pelo próximo; a solidariedade; o desprendimento de sentimentos menores (egoísmo, avareza, inveja, intriga, entre inúmeros outros); interesse pelas outras pessoas; sinceridade; honestidade; retidão de princípios e valores; etc.

Sabemos que a imperfeição é uma condição inerente à humanidade, haja vista que estamos em constante mutação e evolução.

Diante disto, é claro que seria utópico exigir ou mesmo esperar que todas as pessoas tivessem exatamente o mesmo comportamento. Mas, penso que determinados princípios são básicos. Até por isso são denominados de princípios, ou seja, o que está no início.

Neste começo de século XXI, porém, o que noto é que apesar de todos os avanços obtidos por nossa sociedade, ou pela raça humana, por assim dizer, nos séculos anteriores, não têm sido suficientes para provocar uma revolução de igual grandeza no âmago das pessoas.

Ao contrário. Às vezes tenho até a sensação de que tem causado efeito oposto e tornado as pessoas cada vez mais centradas em si próprias, fechadas em seus casulos e fortalezas, preocupadas em “proteger-se” cada vez mais do meio externo e criando um escudo protetor cada vez mais poderoso e suficientemente sensível, para notar a presença ou aproximação de qualquer “intruso não autorizado” a anos-luz de distância.

Agora, do que será que estas pessoas querem tanto se proteger? Por que o afastamento? Por que algumas delas, para se pseudoprotegerem, adotam até a prática de “atirar primeiro para depois perguntar?” Assumem deliberadamente comportamento agressivo e desrespeitoso?

São questões muito sérias.

O que será que estão querendo esconder por trás desta couraça e por trás deste comportamento inexplicável? Demonstrar que são fortes em todas as situações e circunstâncias? Demonstração de superioridade ou de poder? Não sei!

Sou e sempre fui uma pessoa extremamente otimista e com elevado senso de automotivação. Minha natureza é assim e sou feliz por ser assim.

Não se trata de julgamento de valor e discutir conceitos de certo e errado, porque a verdade absoluta não tem dono (pelo menos não creio ter sido notificado de fato em contrário até hoje).

Mas otimismo envolve responsabilidade e atitude.

Acredito que não basta ter esperança e ser otimista, cruzar os braços e crer que tudo acontecerá naturalmente sem esforço e sem trabalho, simplesmente pelo fato de que se acredita em dias melhores. Sou da opinião de que cada um deve dar sua devida parcela de contribuição, para que o pensamento positivo alimentado pela automotivação e esperança saiam do plano das ideias e intenções e ganhe formas concretas.

Porém, nos últimos tempos tenho notado que certas circunstâncias da vida e, principalmente, as atitudes e comportamento de várias pessoas, têm minado sensivelmente minha crença nos homens.

Sei que não é agradável verbalizar tal sentimento ou sensação. Eu também não gostaria que assim o fosse. Mas é inevitável expressar esta situação. Chegam determinados momentos da vida em que a gente se questiona se está realmente valendo a pena fazer as coisas da forma como estamos fazendo. Será que está valendo a pena ser da forma como sou? Será que vale a pena continuar acreditando em determinados princípios que tenho acreditado durante tantos anos?

O que dizer para si próprio todos os dias ao sair de casa, quando diversas pessoas que lhe cercam desvalorizam o que você faz com tanto carinho e dedicação; espezinham você; desrespeitam-lhe nas atitudes mais simples possíveis (o que falar então das mais complexas e elaboradas); seus direitos mínimos são desprezados sem a menor cerimônia, mas seus deveres lhe são cobrados com empáfia, arrogância, humilhação e impiedosamente; quem você pensava que lhe considerava não é capaz de dedicar ao menos alguns minutos para lhe escutar com o coração? O que dizer?

Imagina uma situação hipotética de diálogo entre Você mesmo, a Esperança e a Motivação, como se fossem três pessoas distintas. Você tenta convencer estas duas últimas para lhe acompanharem o dia todo porque precisará, e muito, da força e apoio de ambas para vencer os desafios diários.

Diante do quadro exposto, será que há argumentos suficientemente convincentes para estimulá-las a partir contigo nesta jornada?

É difícil, reconheço.

Agora, uma interpretação mais precipitada do que foi exposto pode ser a de que a situação é de total desesperança e falta de sentido para a vida. Que nada vale a pena mesmo.

Não se trata disso.

No fundo, o que acaba de despertar em mim é a visão de que o que realmente vale a pena na vida é a nossa felicidade, o nosso próprio tempo e as pessoas que de uma forma ou de outra contribuem decisivamente para que a felicidade esteja presente o maior tempo possível em nossas vidas.

Então, são para elas que dedicarei minhas maiores energias, esperança e motivação, porque são justamente elas que valem realmente a pena.

Quem são essas pessoas?

Esta é uma tarefa que cabe a cada um de nós descobrirmos (isso é claro, para quem ainda não identificou a todas elas). O mais importante é que sejam pessoas que respeitem você; aceitem você; valorizem quem você é; gostem, tenham carinho e até amem você; lhe escutem com real interesse e desprendimento; não lhe discriminem; não limitem o seu crescimento pessoal, intelectual e espiritual/religioso; que sejam capazes lhe ensinar ou compartilhar algo de interessante com você. Enfim, pessoas que valham a pena a sua dedicação e o seu tempo.

Acho que desta forma, quando conversar todos os dias com a Esperança e a Motivação para que o acompanhem na jornada diária, seja possível dizer-lhes com convicção: eu ainda acredito nas pessoas. Só que nas pessoas certas. Este detalhe é que fará a grande diferença.

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