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Luiz Valério P.Trindade
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Que cidade é esta? Também quero viver nela

 

Considero muito interessante e, ao mesmo tempo intrigante, observar as campanhas eleitorais dos principais postulantes ao cargo de prefeito. Não tenho como afirmar categoricamente que são todas exatamente iguais nos mais de 5.000 municípios existentes no país porque as realidades são bastante distintas. Contudo, é possível inferir que, pelo menos nas maiores cidades a mensagem eleitoral segue um modelo bem homogêneo.

Municiados de diversas pesquisas de opinião que sinalizam os principais anseios dos munícipes, os candidatos moldam seu discurso para que convirjam justamente para tais anseios. Até aí, tudo bem, mas a roupagem adotada para embrulhar o pacote é tão fantasiosa e desconexa com a realidade que nos faz indagar que lugar estupendo é aquele que está sendo constantemente retratado porque se ele realmente existe é para lá que gostaríamos de ir.

Em sua cidade faltam hospitais, transporte público digno e eficiente, creches e escolas bem equipadas e oferecendo ensino de qualidade, entre outras carências? Não se preocupe mais porque seguramente os candidatos vão resolver isso muito facilmente, pois pelo menos no horário eleitoral gratuito sempre demonstram ser possível entregar tudo isso para a população. No entanto, uma vez eleito, invariavelmente (salvo raras exceções) demonstram uma habilidade ainda maior para explicar ou justificar porque não foi possível entregar tudo o que fora prometido em campanha. Isso sem mencionar quando advogam que não foi possível cumprir todas as promessas de campanha porque um mandato apenas é pouco. Faz-se necessário que a população lhe conceda mais 4 anos para que consiga realizar o que não foi feito no primeiro mandato.

Ainda no campo dos discursos mirabolantes e repletos de pirotecnias de fundamentação duvidosa, grande parte deles utilizam dados e indicadores de forma tão particular e ajustada ao seu próprio discurso que se torna muito difícil para o cidadão-eleitor distinguir o que é fato e o que é meramente espuma que foi soprada de um lado para o outro.

Enfim, o cabo de guerra transcorre de uma forma tão confusa, conflitante e sob bases tão questionáveis que não contribui para o esclarecimento da população e fortalecimento de sua análise crítica e consequente escolha consciente. Ao contrário, cada um preocupa-se muito mais em apresentar a melhor Ilha da Fantasia possível, porém, esquecendo-se (convenientemente) que vivemos na realidade e desta forma, necessitamos igualmente de diagnósticos honestos, minimamente precisos e confiáveis e soluções factíveis.

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